Todos os dias
Eu acendo a vela
Pedindo à sabedoria universal
o sagrado, o sagrado,
e o Bodisatva compassivo
Senta-se à minha frente
E pousa as mãos sobre minhas mãos imóveis
Mãos sustentando o universo
Englobando o vazio.
Todos os dias
Eu observo na parede nua
À chama bruxuleante
Pedaços de mim, como bandeiras tremulando
Ao vento das emoções
Que imploram para não morrer.
Todos os dias
Brilha em meus olhos
um momento novo
E minha mente se torna consciência-parte
Da consciência-todo
Eu e meus outros eus,
como se fôssemos muitos
Reflexos do mesmo espelho
Que reflete o todo nas partes.
Todos os dias
Eu acendo a vela
Pedindo a paz em mim
E o Amor, o Amor,
E o Bodisatva compassivo
O Iluminado,
Desce do altar à minha frente
E Senta-se à minha frente
E Vê à minha frente
E Sente à minha frente
E Promove à minha frente
A paz que eu desejo para todos.
domingo, abril 15, 2012
quarta-feira, novembro 04, 2009
Poesia?
... E vêm me perguntar o que é escrever.
Escrever poesia?
Poesia é pró-forma.
Poetear é caçar pensamentos-pássaros.
Riscar desenhos com lápis branco num caderno em preto,
Buscar materializar o que se sente e é um grito surdo no peito.
Enfeitar, muitas vezes, com o glacê das palavras faz um bolo bonito gorduroso e que enche.
O meu só dá mais fome.
Eu escrevo é para esvaziar.
Esvaziar o saco-cheio do dia-a-dia.
Ou escreve-se ou morre-se ou mata-se e não há meio-termo.
Não ser literal é defeito de quem não estrutura.
Escrita é um quartel. Poesia é o grito do soldado baleado na trincheira.
Escrever não é negócio: é... redenção.
Escrever poesia?
Poesia é pró-forma.
Poetear é caçar pensamentos-pássaros.
Riscar desenhos com lápis branco num caderno em preto,
Buscar materializar o que se sente e é um grito surdo no peito.
Enfeitar, muitas vezes, com o glacê das palavras faz um bolo bonito gorduroso e que enche.
O meu só dá mais fome.
Eu escrevo é para esvaziar.
Esvaziar o saco-cheio do dia-a-dia.
Ou escreve-se ou morre-se ou mata-se e não há meio-termo.
Não ser literal é defeito de quem não estrutura.
Escrita é um quartel. Poesia é o grito do soldado baleado na trincheira.
Escrever não é negócio: é... redenção.
Um diálogo para três ou, Um Exercício de (Des)continuidade.
1- O que eu tenho: Nada!
2- A vida não é sempre a mesma?
3- Nunca roda essa roda não gira...
2- ...e se roda? gira pra trás. No inverso.
1- O desconexo. Sempre amplia, mas explora.
3- E cava.
2- Mas...fundo!, arranca a raiz, sangue brota.
3- Vampiros, por aí. Succubus. Bruxas.
1- Rios de sangue.
3- Um lapso de tempo.
3- Escoando. Insistindo.
1- Escondendo, no peito.
2- Ocultando, no sorriso.
3- Velando, nos olhos.
3- E desde quando alguém...?
2- Enraizando
1- (silêncio)
3- No céu azul. Olha o arco-íris!!!
2- Chovendo sangue, e rãs, e canivetes, e mulheres. Nuas!
1- De fato.
2- Teclando, café. É o interfone.
1- Olha o neném berrando!
3- Não pára... Não pára! NÃO PÁRA!!!! N-Ã-O P-Á-R-A!!!!!
2- É assim mesmo... a vida é assim, minha filha.
1- E eu, cheio de espinhas na cara!
3- Se amarra? me prende?
2- Olha que eu te dou na cara, sua vagabunda!!!!
1- Era uma vez... num reino muito distante...
3- Hahahahahahahaha (ri descontroladamente).
1- Segue o fluxo, bicho.
2- Aperta pra mim?
1- Não tenho nada.
2- Sangue.
3- Sexo.
1- Padre, eu vim me confessar.
2- Olha só o engarrafamento.
3- Um. Dois. Três, e... JÁ!!!!!
2- A vida não é sempre a mesma?
3- Nunca roda essa roda não gira...
2- ...e se roda? gira pra trás. No inverso.
1- O desconexo. Sempre amplia, mas explora.
3- E cava.
2- Mas...fundo!, arranca a raiz, sangue brota.
3- Vampiros, por aí. Succubus. Bruxas.
1- Rios de sangue.
3- Um lapso de tempo.
3- Escoando. Insistindo.
1- Escondendo, no peito.
2- Ocultando, no sorriso.
3- Velando, nos olhos.
3- E desde quando alguém...?
2- Enraizando
1- (silêncio)
3- No céu azul. Olha o arco-íris!!!
2- Chovendo sangue, e rãs, e canivetes, e mulheres. Nuas!
1- De fato.
2- Teclando, café. É o interfone.
1- Olha o neném berrando!
3- Não pára... Não pára! NÃO PÁRA!!!! N-Ã-O P-Á-R-A!!!!!
2- É assim mesmo... a vida é assim, minha filha.
1- E eu, cheio de espinhas na cara!
3- Se amarra? me prende?
2- Olha que eu te dou na cara, sua vagabunda!!!!
1- Era uma vez... num reino muito distante...
3- Hahahahahahahaha (ri descontroladamente).
1- Segue o fluxo, bicho.
2- Aperta pra mim?
1- Não tenho nada.
2- Sangue.
3- Sexo.
1- Padre, eu vim me confessar.
2- Olha só o engarrafamento.
3- Um. Dois. Três, e... JÁ!!!!!
quinta-feira, julho 09, 2009
Pour Le (Petit) Pappilon
..Como um curso d´água segue
Por entre as pedras do leito
Estreitando-se, fluida, entre
as estruturas (Que eu mantivera em mim).
Levanta templos
Sobre os destroços de mim mesmo
(mas atordoa a mente-coroa...)
Pois que me arde no corpo,
cirurgiã de almas...
Ela, que do próprio coração
se esvai...
me assombra; fala das coisas
Entre maravilhas e tristezas
E eu atino à torrente,
À profundidade das suas águas...
...E quem sabe se ela volta
Ainda ela?
A mesma que partiu
Agora talvez já
morta...
E se eu ainda não morri
Em mim?
Eu, ainda a lidar
com esta (in)consciência retraída
intro-expansiva
ao tamanho
dos anseios do mundo?
E, quem sabe se eu já não a encontro mais
a sonhar com as flores...?
Eu... só miro nas matas, nas pedras, nos céus
nas mãos entrelaçadas de um casal qualquer
A sua imagem, tão minha
que em tudo ela me sorri, serena, convicta.
(E se ela virou a flor
Que cresceu junto ao riacho?)
Ao sol que te segue, a minha lua
diga: - Saudade...
E volte, mesmo que para visitar.
Por entre as pedras do leito
Estreitando-se, fluida, entre
as estruturas (Que eu mantivera em mim).
Levanta templos
Sobre os destroços de mim mesmo
(mas atordoa a mente-coroa...)
Pois que me arde no corpo,
cirurgiã de almas...
Ela, que do próprio coração
se esvai...
me assombra; fala das coisas
Entre maravilhas e tristezas
E eu atino à torrente,
À profundidade das suas águas...
...E quem sabe se ela volta
Ainda ela?
A mesma que partiu
Agora talvez já
morta...
E se eu ainda não morri
Em mim?
Eu, ainda a lidar
com esta (in)consciência retraída
intro-expansiva
ao tamanho
dos anseios do mundo?
E, quem sabe se eu já não a encontro mais
a sonhar com as flores...?
Eu... só miro nas matas, nas pedras, nos céus
nas mãos entrelaçadas de um casal qualquer
A sua imagem, tão minha
que em tudo ela me sorri, serena, convicta.
(E se ela virou a flor
Que cresceu junto ao riacho?)
Ao sol que te segue, a minha lua
diga: - Saudade...
E volte, mesmo que para visitar.
quinta-feira, maio 28, 2009
Na Ânsia de Ser
Hoje é um dia
Na ânsia de ser
branco.
Folha de papel
Na ânsia de ser
preenchida.
Na ânsia de ser
Tudo é nada
E as possibilidades
Na ânsia de ser
São muitas.
As flores se abrem
Na ânsia de ser.
E quase não existe lugar
Comum
Na ânsia de ser.
Tudo é novo e mágico.
A ânsia é um nascer
ao contrário.
É morrer todo dia
reescrevendo
Na ânsia de ser.
Na ânsia de ser
branco.
Folha de papel
Na ânsia de ser
preenchida.
Na ânsia de ser
Tudo é nada
E as possibilidades
Na ânsia de ser
São muitas.
As flores se abrem
Na ânsia de ser.
E quase não existe lugar
Comum
Na ânsia de ser.
Tudo é novo e mágico.
A ânsia é um nascer
ao contrário.
É morrer todo dia
reescrevendo
Na ânsia de ser.
terça-feira, maio 05, 2009
Eu Não
Eu não.
Eu não sou interessante
Eu não sou interesseiro
Se eu estou
interessado Eu não sou
Eu não sou letrado
Eu não sou letreiro
Eu sou meio
limitado Eu não sou
Eu tou sempre
atrasado
Eu não vou
escravo
Eu não sou cativo
Eu não sou arisco
Eu não sou
artista Eu não tenho
lar
Eu não
grito Eu arrisco
...Eu...
...eu...eu...
Eu não tenho par
Eu preciso andar
Eu queria tudo
amar Eu queria
Eu queria tudo mais
De mim explodindo em tudo mas
Eu não sou
interessante
Eu não sou letreiro
Eu não dou
recado Eu já fui riscado
Eu não vou.
Eu não sou.
Eu não sou.
Eu não sou interessante
Eu não sou interesseiro
Se eu estou
interessado Eu não sou
Eu não sou letrado
Eu não sou letreiro
Eu sou meio
limitado Eu não sou
Eu tou sempre
atrasado
Eu não vou
escravo
Eu não sou cativo
Eu não sou arisco
Eu não sou
artista Eu não tenho
lar
Eu não
grito Eu arrisco
...Eu...
...eu...eu...
Eu não tenho par
Eu preciso andar
Eu queria tudo
amar Eu queria
Eu queria tudo mais
De mim explodindo em tudo mas
Eu não sou
interessante
Eu não sou letreiro
Eu não dou
recado Eu já fui riscado
Eu não vou.
Eu não sou.
Eu não sou.
segunda-feira, maio 04, 2009
À Música
Um dia, Deus
cansado dos gritos
impropérios
insultos, blasfêmias
vindos das massas do globo
em correntes desarmônicas
instrui um anjo da Luz
que fosse em busca na Terra
Ordenando ataque em resposta
Àquela guerra às Potências!
E o anjo, lá chegando
viu
E notou que entre os gritos do povo
imiscuído nas maldições
estavam fios de esperança
em forma de sons!
encontrou no âmago dos sonhos dos seres a paz
a esperança
que ela traz ! e achou amores
perdas
felicidades mil
Juntou-se aos cantares de todos
Despediu-se dos céus,
e a música nasceu!
cansado dos gritos
impropérios
insultos, blasfêmias
vindos das massas do globo
em correntes desarmônicas
instrui um anjo da Luz
que fosse em busca na Terra
Ordenando ataque em resposta
Àquela guerra às Potências!
E o anjo, lá chegando
viu
E notou que entre os gritos do povo
imiscuído nas maldições
estavam fios de esperança
em forma de sons!
encontrou no âmago dos sonhos dos seres a paz
a esperança
que ela traz ! e achou amores
perdas
felicidades mil
Juntou-se aos cantares de todos
Despediu-se dos céus,
e a música nasceu!
Página de Amargura
Pois, das sombras
da loucura
Nasce
Esta página de amargura -
Esperança futura -
Dos que vagam rumando
Sem léu
Tão distantes do paraíso
no Céu,
Da beleza
Do amor, que agora soa
ridiculamente
finito...
Nestas lúgubres masmorras
Nestas funéreas alfombras
Onde somente a dor
da lembrança inda perdura
e a culpa nos acossa
em cárceres de sombra
Lamentamos, Vida nossa...!
E gememos calados
em silêncio contrito
- A vida além da morte,
Nada mais é do que um mito ! Tudo se extingue
com o último expirar ! -
Dizíamos, inconscientes
Para um dia sermos colhidos
na corrente
Do mar da vida que não acaba:
Peixes que o divino Pescador colhe
Nas malhas das consciência.
Mas hoje, entendendo a beneficência
Rogamos, consternados:
Faz-nos renovados, destino.
Abençoa-nos o caminho
Com luta e provação
Dor e desencanto
Para que, das trevas da desilusão,
Do desespero, do pranto
Colhamos os benditos frutos,
Melhorando-nos com o Criador
No caminho da Redenção!
da loucura
Nasce
Esta página de amargura -
Esperança futura -
Dos que vagam rumando
Sem léu
Tão distantes do paraíso
no Céu,
Da beleza
Do amor, que agora soa
ridiculamente
finito...
Nestas lúgubres masmorras
Nestas funéreas alfombras
Onde somente a dor
da lembrança inda perdura
e a culpa nos acossa
em cárceres de sombra
Lamentamos, Vida nossa...!
E gememos calados
em silêncio contrito
- A vida além da morte,
Nada mais é do que um mito ! Tudo se extingue
com o último expirar ! -
Dizíamos, inconscientes
Para um dia sermos colhidos
na corrente
Do mar da vida que não acaba:
Peixes que o divino Pescador colhe
Nas malhas das consciência.
Mas hoje, entendendo a beneficência
Rogamos, consternados:
Faz-nos renovados, destino.
Abençoa-nos o caminho
Com luta e provação
Dor e desencanto
Para que, das trevas da desilusão,
Do desespero, do pranto
Colhamos os benditos frutos,
Melhorando-nos com o Criador
No caminho da Redenção!
Estrela
Serão estes seus olhos
Ou seu sorriso
Que me fazem pensar
Se eu posso
se você quer,
se provoco
Ou se esqueço...?
As noites passam
Em tempo lento
Pequeno passo infinito
E eu te querendo
Pra ver
Um abraço
quem sabe?
Te ter...comigo...
No espaço...
Estrela:
porque você brilha
E seu sorriso
Espelha a carícia
que eu te queria fazer...
Mas você não me olha,
Você sempre passa
e eu disfarço,
e eu me desfaço
pensando:
por quê ?!
Ou seu sorriso
Que me fazem pensar
Se eu posso
se você quer,
se provoco
Ou se esqueço...?
As noites passam
Em tempo lento
Pequeno passo infinito
E eu te querendo
Pra ver
Um abraço
quem sabe?
Te ter...comigo...
No espaço...
Estrela:
porque você brilha
E seu sorriso
Espelha a carícia
que eu te queria fazer...
Mas você não me olha,
Você sempre passa
e eu disfarço,
e eu me desfaço
pensando:
por quê ?!
Esfinge
Com você (quem dera)
Eu desafiaria a esfinge
A Quimera
Que habita em
Você
Severa
E espantaria a fúria
Que espera
Não me ver mais
Te ter
Sincera
Na primavera da sua
Esfera
Espúria
Onde se encerra
Você comigo
Atormentando
A luxúria
Na cama onde
Quisera eu mendigo
E eu já acho
Você
Megera
Silente
inconsciente
Perdida
Em seu umbigo.
Eu desafiaria a esfinge
A Quimera
Que habita em
Você
Severa
E espantaria a fúria
Que espera
Não me ver mais
Te ter
Sincera
Na primavera da sua
Esfera
Espúria
Onde se encerra
Você comigo
Atormentando
A luxúria
Na cama onde
Quisera eu mendigo
E eu já acho
Você
Megera
Silente
inconsciente
Perdida
Em seu umbigo.
Água
...E como não te posso ter por perto
Te tenho longe
Te vejo vento
Esta imagem que num crescendo
[em mim
Anuncia
Sem ser,
Sem ser, ainda...
Será que
É?
Quem te mandou?
A tempestade de ontem?
chove, chuva em mim
Me abrasa
Me abraça
me apaga...
Que este olhar meio de banda
Me encanta,
Me imanta,
Me espalha
Me espraia
Encanto da natureza
Flor de Gaia
Mahatma
Enamorada do luar
Quem te olhou e não te viu
[Passar?
Me leva,
Me eleva
Náiade
Onde está? onde está?
Eu seguro a vela no cais
E me abandono cego
Mais ícaro no encontro fatal ao sol
É hora de aportar...
Te tenho longe
Te vejo vento
Esta imagem que num crescendo
[em mim
Anuncia
Sem ser,
Sem ser, ainda...
Será que
É?
Quem te mandou?
A tempestade de ontem?
chove, chuva em mim
Me abrasa
Me abraça
me apaga...
Que este olhar meio de banda
Me encanta,
Me imanta,
Me espalha
Me espraia
Encanto da natureza
Flor de Gaia
Mahatma
Enamorada do luar
Quem te olhou e não te viu
[Passar?
Me leva,
Me eleva
Náiade
Onde está? onde está?
Eu seguro a vela no cais
E me abandono cego
Mais ícaro no encontro fatal ao sol
É hora de aportar...
A Flor Mais Bela
A flor mais bela
Que cresce no seu jardim
É a janela para os mistérios
O bem oculto
A lanterna na escuridão
[das aparências.
É a flor que se abre
Inteira
[ao contato da Luz.
É o mestre que guia no caminho.
É o entendimento da permanência
É o caminho,
A Verdade
[e a vida.
A flor mais bela
É a pura essência
É catavento das vibrações
Porta-voz da inexistência
O colo da Mãe.
Que cresce no seu jardim
É a janela para os mistérios
O bem oculto
A lanterna na escuridão
[das aparências.
É a flor que se abre
Inteira
[ao contato da Luz.
É o mestre que guia no caminho.
É o entendimento da permanência
É o caminho,
A Verdade
[e a vida.
A flor mais bela
É a pura essência
É catavento das vibrações
Porta-voz da inexistência
O colo da Mãe.
sexta-feira, outubro 20, 2006
Autolembrança
No revés da mídia
Andar na moda
Do tiro no escuro
Pular do muro
P'rum beijo no vazio
No coração do absoluto
Não foi nada...
Por que não estou de luto?
Eu não me encontro
Eu não jogo mais
Perdi-me no tempo
Atento
Atrás
Da loteria da alegria
Na ironia do destino
Insondável...
E formidável desejo
Forma e dá velocidade
À paisagem no espelho
Retrovisor do olhar encontro
Amargura:
Tudo passou em mim, tutu de feijão,
Fogueira São João,
Esteira, Exu-Mirim,
Queimadura.
A ditadura era
Ela e eu agora
No amasso
Sem compasso...
- confusão, tesão –
Casamento.
Casa, mel...
Discussão, brisa de vento...
Fel...
Guerra e paz,
Separação.
Era o coração Dom Quixote
Quebrando a casca do ovo
Tomando caixote de novo
Na praia da anulação...
Ondas-luz...
E vejo o pipoqueiro
Risos, gritos, reluz a Lua
- lâmpada embaciada,
Moldura de quadro de rua
De subúrbio... Lembrança-fada!
Cabra-cega da infância!
Eu dei, eu dei a mão na roda - dá
Cirandando - do a cirandar
Cirandando - do a cirandar - dar - dar
Meia-volta, volta e meia vamos dar
Vamos dar... Vamos dar... dar...dar...
Mas pro tempo, para o tempo - po não tem volta – ta...
Pára o tempo...!
É cantiga de ninar...
Ave-Maria de Belém...
Te vejo agora, encastelada,
Sozinha, Rainha
Dos trilhos do trem
Aia dos miseráveis...
Ora pro nobis...
Olha pra mim:
Andarilho de ninguém...
Sem ninguém...
E ainda procuro no hoje
Da profusão de épocas
Nas eras às quais remeto
Minha alma
Que se esparrama sobre mim,
Em lembrança exata,
Mas tudo me parece quadros
Confusos de absurdo equívoco
Histórias vagas, incompletas
Nas quais eu não existo...
Sou uma alma
Perdida
Transada
Aflita
Servida às emoções.
Andar na moda
Do tiro no escuro
Pular do muro
P'rum beijo no vazio
No coração do absoluto
Não foi nada...
Por que não estou de luto?
Eu não me encontro
Eu não jogo mais
Perdi-me no tempo
Atento
Atrás
Da loteria da alegria
Na ironia do destino
Insondável...
E formidável desejo
Forma e dá velocidade
À paisagem no espelho
Retrovisor do olhar encontro
Amargura:
Tudo passou em mim, tutu de feijão,
Fogueira São João,
Esteira, Exu-Mirim,
Queimadura.
A ditadura era
Ela e eu agora
No amasso
Sem compasso...
- confusão, tesão –
Casamento.
Casa, mel...
Discussão, brisa de vento...
Fel...
Guerra e paz,
Separação.
Era o coração Dom Quixote
Quebrando a casca do ovo
Tomando caixote de novo
Na praia da anulação...
Ondas-luz...
E vejo o pipoqueiro
Risos, gritos, reluz a Lua
- lâmpada embaciada,
Moldura de quadro de rua
De subúrbio... Lembrança-fada!
Cabra-cega da infância!
Eu dei, eu dei a mão na roda - dá
Cirandando - do a cirandar
Cirandando - do a cirandar - dar - dar
Meia-volta, volta e meia vamos dar
Vamos dar... Vamos dar... dar...dar...
Mas pro tempo, para o tempo - po não tem volta – ta...
Pára o tempo...!
É cantiga de ninar...
Ave-Maria de Belém...
Te vejo agora, encastelada,
Sozinha, Rainha
Dos trilhos do trem
Aia dos miseráveis...
Ora pro nobis...
Olha pra mim:
Andarilho de ninguém...
Sem ninguém...
E ainda procuro no hoje
Da profusão de épocas
Nas eras às quais remeto
Minha alma
Que se esparrama sobre mim,
Em lembrança exata,
Mas tudo me parece quadros
Confusos de absurdo equívoco
Histórias vagas, incompletas
Nas quais eu não existo...
Sou uma alma
Perdida
Transada
Aflita
Servida às emoções.
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