No revés da mídia
Andar na moda
Do tiro no escuro
Pular do muro
P'rum beijo no vazio
No coração do absoluto
Não foi nada...
Por que não estou de luto?
Eu não me encontro
Eu não jogo mais
Perdi-me no tempo
Atento
Atrás
Da loteria da alegria
Na ironia do destino
Insondável...
E formidável desejo
Forma e dá velocidade
À paisagem no espelho
Retrovisor do olhar encontro
Amargura:
Tudo passou em mim, tutu de feijão,
Fogueira São João,
Esteira, Exu-Mirim,
Queimadura.
A ditadura era
Ela e eu agora
No amasso
Sem compasso...
- confusão, tesão –
Casamento.
Casa, mel...
Discussão, brisa de vento...
Fel...
Guerra e paz,
Separação.
Era o coração Dom Quixote
Quebrando a casca do ovo
Tomando caixote de novo
Na praia da anulação...
Ondas-luz...
E vejo o pipoqueiro
Risos, gritos, reluz a Lua
- lâmpada embaciada,
Moldura de quadro de rua
De subúrbio... Lembrança-fada!
Cabra-cega da infância!
Eu dei, eu dei a mão na roda - dá
Cirandando - do a cirandar
Cirandando - do a cirandar - dar - dar
Meia-volta, volta e meia vamos dar
Vamos dar... Vamos dar... dar...dar...
Mas pro tempo, para o tempo - po não tem volta – ta...
Pára o tempo...!
É cantiga de ninar...
Ave-Maria de Belém...
Te vejo agora, encastelada,
Sozinha, Rainha
Dos trilhos do trem
Aia dos miseráveis...
Ora pro nobis...
Olha pra mim:
Andarilho de ninguém...
Sem ninguém...
E ainda procuro no hoje
Da profusão de épocas
Nas eras às quais remeto
Minha alma
Que se esparrama sobre mim,
Em lembrança exata,
Mas tudo me parece quadros
Confusos de absurdo equívoco
Histórias vagas, incompletas
Nas quais eu não existo...
Sou uma alma
Perdida
Transada
Aflita
Servida às emoções.
sexta-feira, outubro 20, 2006
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